28 de out de 2013

"Do seu jeito"

     Trago mais uma crônica da Martha Medeiros que se adequa ao momento que estou vivendo. Ela fala das pessoas que possuem vidas padronizadas e de como viver a vida do nosso jeito é uma maneira de estar em paz. Concordo com ela, e me vejo frequentemente questionando o fato de "termos" sempre que ter essa vida tão igual a todo mundo. Foi justamente percebendo que meus dias estavam sempre tão iguais uns aos outros e sempre tão "cinza" que percebi que era hora de fazer algo diferente. A vida é muito rara, cabe a nós aproveitá-la!

     " 'I've lived a life that's full/Ive traveled each and every highway/But more, much more than this/I've lived it my way.'
     Este é um verso de My Way, canção que foi imortalizada por Frank Sinatra e que também foi gravada pelo Sex Pistols e por Nina Hagen. É a história de um cara que viajou, amou, riu e chorou como todo mundo, mas fez isso do jeito dele. Numa sociedade cada vez mais padronizada, essa letra deveria virar hino nacional.
     Abro revistas e encontro fórmulas prontas de comportamento: como ser feliz no casamento, como ter uma trajetória de sucesso, como manter-se jovem. Resolve-se a questão com meia dúzia de conselhos rápidos. Para ser feliz no casamento, todo mundo deve reinventar a relação diariamente. Para ter uma trajetória de sucesso, todo mundo deve ser comunicativo e saber inglês. Para manter-se jovem, todo mundo deve parar de fumar e beber. Todo mundo quem, cara pálida?
     Todo mundo é um conceito abstrato, uma generalização. Ninguém pode saber o que é melhor para cada um. Fórmulas e tendências servem apenas como sinalizadores de comportamento, mas para conquistar satisfação pessoal pra valer, só vivendo do jeito que a gente acha que deve, estejamos ou não enquadrados no que se convencionou chamar de 'normal'.
     O casamento é a instituição mais visada pelas 'fórmulas que servem para todos'. Na verdade, todos convivem com o casamento desde a infância. Nossos pais são ou foram casados, e por isso acreditamos saber na prática o que funciona e o que não funciona. Só que a prática era deles, não nossa. A gente apenas testemunhou, e bem caladinhos. Ainda assim, a maioria dos noivos diz 'sim' diante do padre já com um roteiro esquematizado na cabeça, sabendo exatamente os exemplos a evitar. Porém, noivo e noiva não tiveram os mesmos pais, e nada é mais diferente do que a família do outro. Curto-circuito à vista.
     É mais fácil imitar, seguir a onda, fazer de um jeito já testado por muitos, e se não der certo, tudo bem, até reações de angústia e desconsolo podem ser macaqueadas, nossas dores e medos muitas vezes são herdados e a gente nem percebe, amamos e sofremos de um jeito universal. Agir como todo mundo é moleza. Bendito descanso pra cabeça: é uma facilidade terem roteirizado a vida por nós. Mas, cedo ou tarde, a conta vem, e geralmente é salgada.
     Fazer do seu jeito - amores, moda, horários, viagens, trabalho, ócio - é uma maneira de ficar em paz consigo mesmo e, de lambuja, firmar sua personalidade, destacar-se da paisagem. Claro que não se deve lutar insanamente contra as convenções só por serem convenções - muitas delas nos servem, e se nos servem, nada há de errado com elas. Estão aí para facilitar nossa vida. Mas se não facilitam, outro jeito há de ter. Um jeito próprio de ser alguém, em vez de simplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um."

2 comentários:

  1. Nossa, gostei muito dessa crônica. Concordo plenamente. Quer exemplo maior da moda? Grande parte das mulheres uniformizadas com a tendência do momento e que muitas vezes não tem NADA A ver com elas? Estou em um momento de fazer o que eu gosto sem pensar muito nos outros. E é assim que deve ser. A gente sabe o que nos convém e felicidade é algo muito pessoal. Alguns são felizes com poucos, outros com muito. O que vale é a gente perceber o que de fato é importante pra gente, o que a gente gosta e o que funciona melhor na nossa vida e na nossa rotina.

    Beijo!

    ResponderExcluir
  2. São as inquietações da vida que nos fazem crescer. Sem elas, sempre somos os mesmos, com hábitos idênticos e o pior de tudo, sem sequer questionarmos. muito boa reflexão. Abs.

    www.umdiasereichef.blogspot.com

    ResponderExcluir